
Trabalhar na Áustria é como trabalhar em qualquer lado. Com esta frase diz-se muito...pouco. Para já, não é bem assim, e depois, é uma afirmação que em nada ajuda a descrever a realidade.
Apesar de tudo, a frase define o meu estado de espirito. Apesar do percurso difícil, com bastantes surpresas e obstáculos, o meu trabalho na Áustria resume-se àquilo...que faço. Ou seja, às características do trabalho em que estou envolvido e à motivação que tenho. Nesse sentido sim, trabalhar na Áustria não é especial, é como em qualquer outro lado.
Relativamente às diferenças que possam existir, essas tem alguma relevância, nuns casos, em outros nem tanto.
Lembro-se de que uma dos primeiros choques que experienciei, (choque será exagerado), foi quando no jardim de infância onde estava, ao me voluntariar para ficar a trabalhar um pouco mais além do meu horário, me disseram prontamente que não, que não deveria trabalhar para além das minhas horas normais. Fiquei um pouco surpreendido, queria mostrar que estava ali de corpo e alma e que poderia fazer alguns sacrifícios. Mais tarde, noutros locais e noutros trabalhos, haveria de ficar por vezes para além da minha hora, umas vezes recompensado, outras não. No entanto, posso-vos dizer que a regra é impedir que as pessoas façam horas extras e aquele hábito de ficar até tarde no trabalho, não é assim tão admirado. Primeiro estão os tempos livres e a familia. E isso é bom, penso eu.
Quanto ao resto, o mundo do trabalho na Áustria é parecido com Portugal e com a Dinamarca, da qual, apesar do contacto, não conheço assim tanto.
Na Áustria, e aqui comparando mais com Portugal, existe mais planeamento, existem as mesmas regras, mas o que faz mesmo a diferença, são os recursos. Sejam eles, materiais para formação, tintas ou outros materiais para construção civil, material de escritório, salários, computadores e tecnologias. A mentalidade é pensar em alto, a burocracia é igual e o dinheiro...abunda muito mais. Isso faz também a diferença na forma como as pessoas se comportam. Agem com menos medo de perder e com mais predisposição para arriscar.
Este último parágrafo merecia ser muito mais desenvolvido. Talvez o faça um dia. Por agora, fica aqui esta breve descrição daquilo que é a minha experiência de trabalho neste país.
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