Porque vivo na Áustria, é inevitável descrevê-la. Naturalmente, não tenho a ambição de o fazer até ao intimo pormenor. Não o conseguiria e seria sempre a minha opinião, casualmente uma parte, apenas e só, uma parte da realidade.
Ontem realizaram-se as eleições legislativas da Áustria. Foi noticia, é noticia e será ainda por mais alguns dias, noticia. Porque o país é um pais que é referido, de forma relativamente regular, nas noticias mas acima de tudo, porque os resultados das eleições deram o primeiro lugar aos populistas de direita, esta é uma noticia relevante. O partido vencedor - o FPÖ -, é visto como noutras zonas da Europa, como sendo de extrema direita. É descrito como grande defensor do nacionalismo austríaco e antagonista das liberdades de circulação, de imigração e por aí fora. O voto no partido é ainda interpretado por muitos como um voto de protesto, de insatisfação, como sinal de medo.
O FPÖ - Freiheitliche Partei Österreichs, tem este nome paradoxal: é visto como inibidor de liberdades e ao mesmo tempo tem na sua nomenclatura a palavra Freiheit, que em português quer dizer Liberdade. Partei e Österreich querem dizer, como facilmente se percebe, Partido da Áustria.
O partido foi fundado nos anos 50 e baseia os seus valores no nacionalismo, na defesa dos valores patrióticos e na sobreproteção do que é, neste caso, austríaco.
A situação após a vitória de ontem é no entanto bastante incerta. Apesar da vitória, o FPÖ não tem maioria e da parte da oposição, todos se mostram indisponíveis para se coligarem com o auto intitulado "partido da liberdade".
Seguem-se novos capítulos.
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